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31-maio 2015

Somos todos terroristas


Artigo publicado no Jornal O  PINHALENSE edicao de 5 de dezembro de 2015

Em outubro de 2001, enquanto colunista do jornal CORREIO de Uberlândia(MG), escrevêramos um artigo, sob o título acima, enfocando o fatídico dia onze de setembro daquele ano, quando foram vitimados, de uma só vez, e em um só dia, cerca de três mil norte americanos. Na ocasião houve uma violenta comoção global e uma indignação trazida à lume, na mesma proporção da comoção. Agora, tudo se repete. Não com o mesmo número de mortes, mas com a mesma ou até maior indignação pelo fato ocorrido. Então, por sua atualidade resolvemos republicar o artigo, mesmo sabendo que o número de vítimas é bem menor, como é igualmente menor o número das vítimas de nosso terrorismo caboclo. Um ataque terrorista que há décadas nos assola, a tal ponto que em 2001, representava quase um quarto de nossa população, ou seja, cerca de 40 milhões de pessoas, abaixo da linha da pobreza, vale dizer, que não tinham comida para lhes saciar a fome. Felizmente, nos últimos anos, esse número vergonhoso e inconcebível vem diminuindo, chegando hoje a, aproximadamente, a “apenas” 5 (cinco) milhões. Esse “apenas” deveria fazer corar nós brasileiros que temos, pelo menos, casa para morar e comida para comer.  E especialmente fazer corar, até estourar de vermelhidão, os 10% (dez por cento) de brasileiros e estrangeiros que aqui mourejam, que detém 90% da renda nacional. São os que muito têm, mas querem ter cada vez mais, mesmo que os que pouco têm, tenham cada vez menos. Eis o artigo, escrito em 2001, repetimos, com algumas atualizações necessárias:

“Afinal, porque tanto espanto e indignação? Não somos todos terroristas? Não daquele terrorismo fundamentalista, explícito, violento, doloso, que busca não apenas o resultado em si, mas através dele, a vingança e, sobretudo, a barbárie. Somos parte de um terrorismo soez, insidioso, silente e perverso. Que mata vagarosamente e que, quando não mata, prejudica a mente das vítimas desde a mais tenra idade. E não somos poucos. Somos milhões, como milhões são as nossas vítimas.

Está aí o mapa da fome para corroborar nossa assertiva. Desse terrorismo excluem-se apenas as próprias vítimas. Todos os demais estão incluídos. Somente aqui no Brasil, são cerca de 40 milhões de pobres e indefesas vítimas, famintas e miseráveis. Ou o caro leitor já praticou alguma ação, mesmo que fosse guardar um minuto de silêncio, em favor dessas vítimas? Note que não estamos falando de dar esmolas, de propiciar cestas básicas, de criar programas de ajuda que só fazem beneficiar de uma ou outra forma os seus idealizadores.

Estamos falando em gerar empregos e produzir alimentos suficientes para todo brasileiro, para que possa, cada um, com toda dignidade, prover o próprio sustento e suas necessidades básicas. Não estamos, portanto, falando de esmolas. Estamos falando em dignidade e com ela, de cidadania. Mas o que fazer então para deixarmos de ser os terroristas da fome e da miséria, sem passarmos para o lado das vítimas? A resposta é, de certa forma, simples: vamos fazer tudo que estiver ao nosso alcance, direcionar todas nossas ações, praticar todos os atos possíveis, direta ou indiretamente, para que haja EMPREGOS e ALIMENTOS para todos.

Devemos agir, porque a omissão também é uma forma de terrorismo. E isso podemos fazer em nossa casa, no nosso clube, em nosso trabalho, no partido político em que militamos, portanto, em nosso município, vale dizer, em nosso estado, em nosso país, ou seja, em todo lugar em que tivermos oportunidade.

Basta que saibamos que o terrorismo, da exploração descabida do homem pelo homem, de nações por nações existe, mata e prejudica, diariamente, no mundo, como no Brasil, milhões de pessoas, em número muito maior do que possamos imaginar. Oxalá, escrevíamos em 2001, o presidenciável que vencer a eleição que se aproxima, não se transforme também num terrorista e consiga erradicar, através do binômio ALIMENTOS/EMPREGOS, a insidiosa, silente e perversa fome que mata milhões de pessoas, não de uma só vez e em um só dia, mas aos poucos e em muitos dias”.

 

José Clástode Martelli – brasileiro/pinhalense, indignado.




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